
Muitos cantores chegam até mim com a mesma frustração: “Malu, eu travo na hora do improviso. Parece que me faltam ideias.”
Existe um mito de que o improviso é um dom místico, algo que “baixa” na hora e acontece magicamente. Mas, como pesquisadora e professora, eu te garanto: improviso é vocabulário.
Pense na voz como uma língua. Você só consegue falar palavras que você já ouviu e aprendeu. Na música é a mesma coisa: o seu cérebro só vai “criar” frases melódicas se ele tiver uma biblioteca auditiva rica e variada. Se o seu input (o que você ouve) for limitado, o seu output (o que você canta) também será.
Para te ajudar a enriquecer essa biblioteca, eu separei 5 vídeos que são verdadeiras aulas de fraseado, ritmo e agilidade.
Mas atenção: não é para ouvir lavando louça! É para ouvir, pausar, voltar e tentar imitar cada nuance.
1. A Sutileza do Neo-Soul: Gayatri Krishnan – “Made It”
A Análise da Malu: Essa indicação já começa quebrando muitas concepções de que improviso é só melisma! Gayatri traz um improviso contemporâneo com diversas escalas, ocidentais e orientais. Se você parar para estudar apenas o improviso dela, terá material de estudo por uns 3 meses
- O que estudar aqui: Tente reproduzir as escalas que ela propõe de forma lenta. Pause o vídeo, use teclados, se necessário, mas crave a afinação! Aos poucos vá aumentando a velocidade.
2. A Aula de Melismas: Tori Kelly – “Bridge Over Troubled Water”
A Análise da Malu: Se você busca precisão em riffs and runs (os famosos melismas), a Tori é a referência obrigatória. O que torna esse vídeo impressionante não é só a agilidade, mas a afinação perfeita em cada nota rápida.
- O que estudar aqui: Tente pegar um trecho de 5 segundos desse vídeo e execute em câmera lenta. O segredo da velocidade é a clareza.
3. A Realeza do Scat Singing: Leny Andrade – “Influência do Jazz”
A Análise da Malu: Não dá para falar de improviso no Brasil sem reverenciar Leny Andrade. Ela trata a voz como um instrumento de percussão e sopro ao mesmo tempo. Aqui temos uma aula de divisão rítmica e de como o cantor deve dialogar com a harmonia da banda.
- O que estudar aqui: O Scat Singing (improviso vocal com sílabas). Perceba como ela usa sílabas percussivas para acentuar o balanço do samba-jazz.
4. O Menos é Mais: Peter Collins – Mashup Cover
A Análise da Malu: Peter Collins é um mestre em rearmonizar melodias conhecidas de forma suave. Ele mostra que você não precisa mudar a música inteira para deixar a sua marca. O improviso dele está na intenção e nas escolhas de notas que fogem do óbvio, mas soam super naturais.
- O que estudar aqui: A suavidade na transição entre a voz de peito e a voz de cabeça (mix voice).
5. A Voz como Banda: Vanessa Moreno – “Solar”
A Análise da Malu: Para fechar, uma das maiores referências da música brasileira atual. A Vanessa Moreno tem uma capacidade incrível de usar a voz para fazer a base rítmica, a melodia e o improviso, tudo junto.
- O que estudar aqui: A independência rítmica e a criatividade. Tente entender onde está o “tempo 1” enquanto ela brinca com os contratempos.
Conclusão: Como estudar isso hoje?
Não tente abraçar o mundo. Escolha UM desses vídeos hoje. Escute com fones de ouvido, feche os olhos e tente tirar “de ouvido” uma frase que você achou difícil.
O improviso nasce da repetição e da imitação consciente!
Não esqueça de aquecer a voz antes de começar a estudar! Se quiser saber quais exercícios fazer, clique aqui!