
Se você chegou até aqui digitando no Google “qual é a minha classificação vocal” ou tentando descobrir se é um “Barítono dramático” ou um “Soprano Ligeiro”, eu preciso te dar uma notícia libertadora (e polêmica):
Se você canta MPB, Pop, Rock, Sertanejo ou Louvor, saber a sua classificação lírica importa muito menos do que te contaram.
No universo acadêmico e nos conservatórios, a classificação vocal serve para definir o que você vai cantar — ela é uma “caixinha” que diz quais papéis de ópera você pode fazer. Mas no mercado da música popular, tentar se encaixar nessas caixas pode limitar sua criatividade e até gerar lesões.

Neste artigo, baseado nos estudos modernos do livro Cantonário (de Valéria Leal e Cyrenne Paparotti), vou te mostrar por que devemos substituir a antiga classificação vocal pelo conceito de Identidade Vocal.
O problema da Classificação Vocal tradicional
Muitos alunos chegam ao meu curso, o Reúne Vocal, frustrados. Eles dizem: “Malu, meu professor disse que minha classificação vocal é Baixo, então eu não posso cantar Jorge Vercillo”.
Isso é um erro clássico.
A classificação vocal tradicional analisa apenas a extensão (a nota mais grave e a mais aguda). Porém, no canto popular, nós usamos microfone. Nós usamos falsete, belting, voz mista. A tecnologia e a técnica moderna permitem que você cante fora da sua “caixa” original.
Por isso, em vez de ficar obsessivo com sua classificação vocal, eu convido você a analisar a sua Identidade Vocal.
O que é Identidade Vocal? Diferente da classificação estática, a Identidade foca na estética e na fisiologia do ajuste. Ela analisa quanto de ar, pressão e ressonância você usa para criar sua “assinatura” sonora.
Esqueça Soprano e Tenor: Conheça os 3 Tipos de Identidade
Para te ajudar a se encontrar (sem os nomes italianos difíceis), vamos agrupar as vozes pelo comportamento físico. Veja com qual você se identifica:

1. A Voz Soprosa (Identidade de Ar)
Sabe aquela voz que parece ter um “ventinho” passando junto com o som? Na classificação vocal antiga, isso seria visto como “falta de fechamento”. Hoje, sabemos que é uma estética valorizada.
- Características: Som íntimo, suave, perfeito para microfone.
- Exemplos: Norah Jones, Tom Jobim, Nara Leão.
- O cuidado: Se você tem essa identidade, não force a voz tentando imitar cantores de power metal. O treino aqui deve focar em fluxo de ar contínuo, não em força bruta.
Leia também: Como aumentar o fôlego para cantar

2. A Voz Potente (Identidade de Pressão)
É o oposto da soprosa. É aquela voz cheia, com muito registro de peito. Geralmente, quem tem essa voz recebe uma classificação vocal de “Dramático” no lírico.
- Características: Muita massa de vibração, som “gordo” e preenchido.
- Exemplos: Tim Maia, Ana Carolina, Ivete Sangalo, Seu Jorge.
- O cuidado: O desafio aqui não é volume, é agilidade. Cuidado para não “empurrar” demais e perder os agudos leves.

3. A Voz com Loudness Reduzido (Identidade Minimalista)
Diferente da soprosa, essa voz é “pequena” por natureza, mas limpa.
- Exemplos: João Gilberto, Fernanda Takai.
- Dica da Malu: Muitos alunos acham que têm “voz fraca” porque comparam sua classificação vocal com cantores de ópera. Não é fraqueza, é estética. Assuma a elegância do canto falado.
Fatores que mudam sua “Classificação” (Filtros e Ressonância)
Além da força, o lugar onde o som vibra muda tudo.
- Voz Nasal: O som vai para o nariz (Ex: Maria Rita). Na MPB é charme, no lírico seria “erro”.
- Voz Faríngea: O som vibra lá no fundo da garganta, gerando um metal (Ex: Sertanejo Raiz).
- Voz Infantilizada: Laringe alta, gerando som de criança (Ex: Cantoras Pop anos 2000).
Percebe? Nenhum desses detalhes aparece quando você só diz “sou Tenor”. Por isso a classificação vocal é incompleta para nós.

Conclusão: Como treinar sem ficar preso a rótulos?
Há uma frase no livro Cantonário que resume tudo:
“O tipo de treinamento para um tenista, maratonista ou halterofilista diferem entre si. Para o cantor popular, essa variação dependerá do gênero musical.”
O maior erro é pegar “dicas genéricas” de internet baseadas em uma classificação vocal que não serve para o seu estilo.
Se você tem uma voz soprosa, não adianta fazer o treino de força da Ivete Sangalo; você vai se machucar. Você precisa de um treino para a sua fisiologia.
No Reúne Vocal, a primeira etapa do nosso método é justamente o Diagnóstico de Identidade. Nós esquecemos os rótulos italianos e mapeamos a sua “matéria-prima” real.
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